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Archive for 5 de Fevereiro, 2009

A neve Outonal

 

Este Inverno tem sido particularmente frio. As situações de neve registadas até à data podem ser consideradas frequentes. A situação sinóptica da figura ilustra a primeira situação de queda de neve, ocorrida na madrugada de 29 de Novembro (Sábado). A neve caiu de forma abundante no interior norte e centro, nas regiões de Trás-os-Montes e Beira Interior. Os impactos na vida das populações destas regiões foram imensos, relacionados, sobretudo, com as dificuldades de deslocação por via rodoviária. Um número relativamente elevado de vias rodoviárias foram cortadas ao trânsito automóvel.

A situação sinóptica representada é típica de um evento de queda de neve: um anticiclone centrado no atlântico e com apófise polar (anticiclone que se estende em latitude) ao lado de uma depressão centrada a norte da Península Ibérica, provoca uma advecção de ar muito frio, proveniente do ártico. Nestas situações particulares verifica-se a passagem sucessiva de frentes frias que orginam queda de neve, por veses até latitudes muito mais baixas. Não foi o caso desta situação. Não caiu neve em regiões do Sul (Lisboa e Setúbal, por exemplo), excepto nos topos das montanhas mais altas.

O que há de mais extraordinário nesta situação é o facto de as primeiras quedas de neve terem ocorrido ainda durante o Outono. Em Portugal, o mais comum é que estes episódios de neve ocorram mais frequentemente durante o mês mais frio, ou seja, Fevereiro.

Apesar de tudo e até ao mês de Janeiro de 2009 o ano não tem sido particularmente chuvoso, mas sim particularmente frio. De acordo com informações do Instituto de Meteorologia a capacidade das barragens estava a 40% no mês de Dezembro e 60% em Janeiro, valor considerado normal para a época do ano. Para que as barragens fiquem na sua máxima capacidade será necessário que continue a chover durante o resto do Inverno e que a Primavera não seja seca.

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O “bom tempo” e o “mau tempo” são conceitos algo vagos e dotados de grande subjectividade.

Como se poderá justificar que neste Inverno o “mau tempo” tem sido predominante? Em altura de crise económica a abundância de água não será benéfica para Portugal, na medida e que diminui a nossa dependência do petróleo para a produção de electricidade?. As nossas barragens ainda não atingiram os máximos de capacidade apesar da precipitação (líquida e sólida) que tem caído nos últimos meses. Desta feita, será bom para todos nós que continue a chover apesar da saturação que já se vai observando nas pessoas relativamente ao “mau tempo”.

Como se poderá dizer que o tempo está mau quando chove se, por vezes, a chuva é necessária também para a agricultura. E reafirmo por vezes, pois a chuva também só é benéfica se cair na altura certa. Por exemplo, para a cultura da vinha uma chuvada forte no Verão, pouco antes da vindima, pode deitar abaixo toda uma colheita.

Já os dias de Sol estão sempre associados ao “Bom Tempo”! Então tivemos muito bom tempo durante as secas severas de 2004/2005 e do início da década de 90. Será “bom tempo” ver o gado a morrer à sede e à fome? Será “Bom Tempo” ver colheitas destruídas por falta de chuva. De facto, não chove e temos dias soalheiros, mas muitos dias soalheiros, em particular no inverno, podem ser desastrosos.

Provavelmente, a associação do bom tempo aos dias soalheiros e do mau tempo aos dias de chuva é típica de indivíduos urbanos sem mais nenhuma preocupação na vida do que ter que decidir a roupa que se veste ou se guarda-chuva vai fazer falta. Ou seja, aquelas pessoas que acham que a comida dos hipermercados estará sempre nas prateleiras quer, faça sol, ou faça chuva. Ou ainda, aqueles que recebem sempre o seu ordenado independentemente do estado do tempo. O grande problema é pensar que a maior parte de nós vive em meio urbano e tem pouca consciência dos efeitos do estado de tempo na economia das regiões.

De qualquer forma, e tal como pode ser comprovado por este “post”, as imagens sobre o “mau tempo” são bem mais interessantes e espectaculares. Claro que esta afirmação enferma, também, de grande subjectividade.

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