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Archive for Fevereiro, 2010

A

 

B

O contraste entre a grande propriedade no Alentejo (A) e a pequena propriedade na Beira Litoral (B). As imagens estão quase à mesma escala e o padrão da paisagem agrícola é claramente distinto num caso e no outro. No primeiro caso (A) quase é possível contar o número de propriedades agrícolas. No segundo caso (B) a tarefa é impossível. Aqui a excessiva fragmentação da propriedade é um dos problemas estruturais mais graves da agricultura portuguesa. Trata-se de uma agricultura familiar, em regime de policultura, intensiva em mão-de-obra e de muito difícil mecanização. Na grande propriedade no Alentejo também há problemas. A mecanização é mais fácil e comum, no entanto, a pobreza dos solos e um grande peso da agricultura de sequeiro são grandes entraves ao desenvolvimento agrícola. A área de regadio, ao contrário do que acontece mais a Norte, é ainda relativamente reduzida.

Os contrastes são também claros ao nível do povoamento: o povoamento distintamente concentrado no Alentejo, em oposição a um povoamento disperso na Beira litoral

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A Península Ibérica é uma pequena região à escala global, mas apresenta grandes contrastes espaciais no que diz respeito à distribuição espacial da precipitação. Há um grande contraste entre a região Noroeste e Sudeste, sendo que na primeira se registam valores muito mais elevados de precipitação do que na segunda. Os mapas que se seguem mostram que os contrastes também são importantes à escala estacional, ou seja, há também contrastes muito significativos entre estações do ano.

Dados de precipitação (Cliamte Research Unit – University of East Anglia)

Mapa realizado c om o Sotawre GrADS

 

Precipitação média de Inverno

Na época mais chuvosa do ano, Outono, Inverno e Primavera, há um acentuado contraste Noroeste/sudeste, em que as Rias Galegas registam os valores mais elevados de precipitação. A figura refere-se ao Inverno, estação do ano em que esse contraste é mais nítido. O Litoral mediterrâneo é a região mais seca, bem como toda uma região do interior centro da Península. Fica evidente que a influência do ar atlântico condiciona os valores mais elevados, quer no norte litoral, quer a Oeste e Sudoeste. Em Portugal verifica-se mais uma vez o tão conhecido contraste diagonal, em que a precipitação diminui para Sudeste. O Minho e Douro Litoral são as regiões mais chuvosas, enquanto que o interior do Alentejo e a Região junto à foz do Guadiana são as regiões mais secas durante o Inverno.

Os factores geográficos que mais nitidamente surgem associados a esta distribuição da precipitação são a latitude (mais chuva a norte do que a Sul) e a continentalidade, ouseja, neste caso, a menor influência das massas de ar vindas de Oeste, do Atlântico. Tal aspecto pode ser observado na diminuição dos valores de precipitação para Este.

Dados de precipitação (Cliamte Research Unit – University of East Anglia)

Mapa realizado c om o Sotawre GrADS

 

Precipitação média de Verão

No Verão a situação é significativamente diferente. Para além de menores valores de precipitação o contraste espacial é agora Norte/Sul. Os Pirenéus e as montanhas Cantábricas são as regiões mais chovasas, enquanto que a Andaluzia e o Algarve são as regiões mais secas. Este contraste Norte/Sul espelha bem a influência da latitude como factor geográfico. No entanto, o relevo é também importante no registo de elevados valores nas montanhas do Norte da Península (Pirenéus e Cantábricos). O mesmo contraste Norte/Sul pode também ser observado para Portugal.

O mapa também evidencia o facto de que a Península Ibérica não tem um Verão seco, como normalmente é designado. A área onde ocorrem valores iguais ou superiores a 100mm de chuva é relativamente extensa. Só mesmo no Sul da Península se poderá falar em secura estival.

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A imagem é uma interpretação muito esquemática de uma imagem Meteosat que se encontra no manual de Geografia do 10º ano da Constância Editores (fig.9, pág. 169). Retrata a situação atmosférica global no dia 21 de Outubro de 2006, às 18 horas.

Apesar de ser um dia específico e de não se tratar de uma situação média, a figura ilustra bem as faixas de altas e baixas pressões, traduzidas aqui pela presença ou ausência de cobertura nebulosa. Assim, as áreas sem nebulosidade, ou de nebulosidade mais baixa são zonas anticiclónicas. Podem ser as regiões mais escuras sobre os oceanos (por exemplo no Atlântico Sul e Atlântico Norte) e, sobre os continentes, são perfeitamente identificáveis por serem zonas sem nebulosidade onde são bem visíveis os contornos e características dos continentes (por exemplo, na região do Sahara e Kalahari). Já os anticiclones polares surgem de forma diferentes em virtude de se tratar de áreas geladas. Desta forma, apresentam-se com cores que variam entre os brancos e os cinzentos.

As zonas nebulosas têm características diferentes. Na Zona da Convergência Intertropical (ZCIT) a cobertura nebulosa apresenta um padrão descontínuo, em que as nuvens surgem em pequenos núcleos de reduzido desenvolvimento horizontal. A cor branca intensa destes núcleos sugere que o topo das nuvens é formado por gelo e, por isso, trata-se de nuvens de grande desenvolvimento vertical conhecidas por cúmulos-nimbos. O padrão das nuvens nas latitudes médias já é completamente diferente. As nuvens surgem em faixas mais ou menos alongadas, podendo chegar a vários milhares de quilómetros de extensão. É a zona das perturbações da frente polar, perfeitamente visíveis entre os ciclones extra tropicais e os anticiclones subtropicais, mostrando claramente o “choque” entre o ar frio vindo das latitudes mais elevadas e o ar quente tropical.

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Fonte dos dados: NCEP/NCAR Reanalysis

Imagem construída com o Software GrADS

 

O padrão de distribuição da pressão ao nível do mar apresenta contrastes entre as estações do ano. As figuras representam a visão mais clássica da circulação geral da atmosfera. Os “A” representam as altas pressões e os “B” as baixas pressões. Quer as altas, quer as baixas pressões localizam-se em bandas latitudinais, atestando o aquecimento diferencial da Terra em virtude da maior ou menor inclinação dos raios solares. As faixas de altas e baixas pressões deslocam-se em bloco ao longo do ano, acompanhando a mudança das estações do ano.

Em Janeiro, o arrefecimento do Hemisfério Norte faz com que os anticiclones se desloquem sobre os continentes. Já em Julho, o grande aquecimento do continente euro-asiático dá origem a grandes áreas de baixas pressões térmicas, resultado o sobreaquecimento do substrato. A Sul passa-se o contrário e as diferenças que se verificam devem-se há maior predominância de superfície oceânica.

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Fonte dos dados: NCEP/NCAR Reanalysis

Imagem construída com o Software GrADS

 

A figura representa a variação da pressão com a latitude e ao longo do tempo a 30ºOeste (sobre o Atlântico). Nas ordenadas temos a latitude entre os 90ºSul e 90ºNorte e, nas abcissas, está o tempo, ou seja, a sucessão dos meses entre Janeiro de 1979 e Fevereiro de 2009.

Este corte é feito a 30ºOeste, sobre o Atlântico, no qual está bem visível a distribuição latitudinal da pressão atmosférica. É um bom documento onde se pode observar de forma muito clara a estrutura da circulação geral da atmosfera com as zonas de baixas e altas pressões nitidamente representadas. Assim, são bem visíveis, em torno do Equador, as Baixas Pressões Equatoriais, responsáveis pelas grandes quantidades de chuva que se registam nestas regiões. É a região onde se localiza a CIT (Convergência Intertropical). Por outro lado, nas latitudes médias, as manchas a azul ilustram a presença constante das Perturbações da Frente Polar. De notar o grande contraste entre as latitudes médias do hemisfério Sul e do Hemisfério Norte: a Sul as perturbações da frente polar mostram a sua maior actividade e extensão devido a uma menor mancha continental.

Junto aos trópicos e junto aos pólos temos as Altas Pressões Subtropicais e as Altas Pressões Polares, respectivamente.

A sazonalidade de determinadas latitudes, sobretudo as que estão nos limites das grandes zonas, está também bem patente na figura. A migração para norte e para sul da CIT está ilustrada por oscilações de pressão nas regiões bem marcadas onde se verifica uma clara alternância entre as altas e as baixas pressões. Veja-se, por exemplo, a variação da pressão nas latitudes em torno dos 15º Norte e Sul, na zona dos climas tropicais com alternância de estação seca, estação húmida. Nas latitudes médias esta sazonalidade é ilustrada pela sucessão de azuis (baixas pressões da frente polar) e laranjas (Altas Pressões Subtropicais).

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Previsão do Modelo GFS para as 18 horas de 3 de Fevereiro de 2010

Imagem gerada em GrADS

 

A chuva vai regressar.

A previsão para as 18 horas de hoje (dia 3 de Fevereiro) mostra uma pequena depressão mas muito activa que tem sido a responsável pelo mau tempo na Madeira, que levou à emissão de alertas vermelhos por parte da Protecção Civil.

Mas, de acordo com as previsões, a depressão que afectou a Madeira chegará à Península Ibérica ainda hoje, mas afectará, sobretudo a Andaluzia, embora seja responsável por alguma queda de chuva no Sul de Portugal continental.

Em Portugal continental a chuva mais intensa será devido a perturbações da frente polar que, entretanto, se aproximam do território vindas de oeste. Tal pode-se ver na figura em baixo que retrata a previsão para as 18 horas de 4 de Fevereiro de 2010. Uma vez que a direcção do vento será, em Portugal continental, de sudoeste ou Oés-sudoeste, será também previsível que aumente a temperatura. Irá haver precipitação em todo o país, mas será mais intensa no Norte Litoral

Previsão do Modelo GFS para as 18 horas de 4 de Fevereiro de 2010

Imagem gerada em GrADS

 

A chegada de ar marítimo de sudoeste traz sempre a precipitação acompanhada por um aumento considerável da temperatura. As imagens em baixo, que representam as temperaturas a 2 metros do solo para os dias 3 e 4 de Fevereiro, respectivamente, mostram um claro recuo das temperaturas negativas (representadas a rosa). Facto interessante é verificar, igualmente que, a estas latitudes, as temperaturas negativas registam-se sobre os continentes e, ou seja, o ar sobre os oceanos é consideravelmente mais quente. No Inverno, os continentes arrefecem mais do que os oceanos e as regiões litorais têm, por isso, um clima mais ameno e Invernos mais tépidos. No Verão o fenómeno é ao contrário: o ar sobre os oceanos é consideravelmente mais fresco do que o ar muito aquecido que se encontra sobre os continentes.

Previsão do Modelo GFS para as 06 horas de 3 de Fevereiro de 2010

Imagem gerada em GrADS

 

Previsão do Modelo GFS para as 06 horas de 4 de Fevereiro de 2010

Imagem gerada em GrADS

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Outubro de 1984

Maio de 1989

Junho de 1994

Maio de 1999

Junho de 2004

Janeiro de 2009

Fonte: Nasa – Earth Observatory

 

Esta sequência de imagens mostra o rápido crescimento da parte ocidental da área metropolitana de Las Vegas. O crescimento da cidade vai ocupando área de Deserto que se situa a ocidente e o crescimento faz-se de forma bastante consistente e acelerada. Na parte inferior esquerda da imagem vê-se, claramente, um campo de golfe em construção, campo este concluído e bem visível a partir de 1989. Nesta altura o campo de golfe estava fora dos limites da cidade. Hoje em dia este campo está cercado de habitações. Em 2009 a mancha urbana cobre toda a área da imagem, mas em 1984 só cerca de 50% a 60% da imagem estava ocupada com área construída.

Também na parte inferior da imagem situa-se o aeroporto que, em 1984 se encontrava nos limites da cidade. Hoje em dia também se encontra envolvida por áreas habitacionais. Será que, neste caso, os habitantes de Las Vegas estão preocupados com questões de segurança?

Apesar de se localizar num deserto, a cidade de Las vegas é ainda um hino ao desperdício de água. Para além das inúmeras fontes, lagos artificiais e consumo doméstico sempre a aumentar, a construção de piscinas privadas é um facto visível do ar. Basta no Google Earth clickar em qualquer parte da cidade de Las Vegas e logo surgem piscinas um pouco por todo o lado, como se pode ver na figura em baixo.

As piscinas em Las Vegas

Fonte: Google Earth

 

Em baixo está uma imagem parcial de um pormenor do campo de golfe anteriormente referido e da construção que, entretanto, o foi rodeando. Os campos de golfe são empreendimentos muito exigentes em água. Manter uma infra-estrutura destas num deserto exige grandes quantidades de água doce, não só para a rega (para manter a relva em bom estado), mas também para a construção de todos os lagos artificias.

De onde vem toda esta água? A resposta é simples: do Rio Colorado (que em certas altura do ano já não chega à foz) e da chamada “água Fóssil” (água de profundidade que se acumulou no interior da Terra em épocas em que o clima era mais húmido).

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