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Archive for Dezembro, 2008

 

No fim-de-semana de 1 de Dezembro fui passear por Trás-os-Montes. Aqui fica um curto relato e algumas reflexões geográficas.

 

Figura 1 – O Relevo em Portugal continental e localização da região (Fonte: INAG/SNIRH). Está sinalizado de forma esquemática o caminho seguido e as auto-estradas utilizadas, tendo em conta uma viagem de Setúbal a Trás-os-Montes.

 

Os acessos à região sempre foram um problema e um obstáculo ao seu desenvolvimento económico. A construção de vias de comunicação sempre foi muito dificultada em virtude da sua situação geográfica. Por um lado, tem uma posição periférica em relação aos grandes centros de decisão do país. Essa periferia é ainda reforçada pelo isolamento provocado pelos maiores sistemas montanhosos portugueses (Fig.1). A Sul a região faz fronteira com a Beira interior onde se situa a Cordilheira Central, da qual faz parte a Serra da Estrela. A Oeste a região é delimitada pelas Serras do Marão e do Alvão. Por outro lado, foi a região portuguesa que mais tardiamente conheceu as auto-estradas. A construção destas vias de comunicação sobe muito de preço em regiões de montanha, pois é necessária a construção de inúmeras pontes e alguns túneis (como o da figura 2), obras necessárias para diminuir e suavizar as curvas, mas que encarecem muito o custo final da via. Mas nem só as grandes montanhas têm dificultado a construção de vias de comunicação em Trás-os-Montes: o entalhe provocado pelo Rio Douro e afluentes causam, também profundos entalhes no soco continental, originando um relevo muito acidentado.

 

O acesso à região vindo de Sul faz-se pela auto-estrada A24.

 

Figura 2 – Túnel da A24

 

Este é, de facto, o melhor acesso, já que o acesso ocidental não tem auto-estrada a partir de Amarante. Para atravessar a Serra do Marão, vindo de ocidente do Porto, é necessário atravessar o IP4, uma via já muito congestionada, que atravessa o coração da Serra do Marão e não é uma auto-estrada.

 

No Outono a região cobre-se de um conjunto de cores muito variadas. Os castanhos e os amarelos são as cores dominantes, juntamente com o verde seco dos pinheiros.

A figura 3 mostra claramente estes tons policromáticos. Mas mostra, sobretudo, um dos aspectos de que se reveste o contacto entre a região demarcada do Douro talhada em xisto (em primeiro plano) e a região planáltica, mais granítica (em segundo plano). Assim temos, por um lado, a vinha (ainda antes de ser podada) e a oliveira e, por outro lado, a paisagem mais agreste da giesta e do pinheiro em rocha granítica.

Figura 3 – Contacto entre a Região Demarcada do Douro (primeiro plano) e a região mais planáltica.

 

Mas as condições meteorológicas transmontanas são caracterizadas, como também é regra em todas as regiões mais montanhosas, por serem algo irregulares, em particular nas estações de transição. Da paisagem multicolor, passa-se num ápice, para uma paisagem monocromática, no entanto, surpreendentemente branca (Figura 4).

 

Figura 4 – A neve no IP4, nas proximidades do alto de Justes, entre Vila Real e o Pópulo. As giestas e algumas árvores mais pequenas encontram-se dobradas devido ao peso da neve. Foto tirada em 29 de Novembro de 2008.

 

A neve caiu em cotas superiores ou iguais aos 700m metros de altitude. Os cumes das principais montanhas encontravam-se cobertos de nuvens e de neve, como se pode ver na figura 5.

 

Figura 5 – Cumes acima dos 700m metros de altitude cobertos de neve.

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IP4 ainda é demasiado mortífero

 

Diário de Notícias (2005)

 

Arquivo DN-Amin Chaar

acidentes. Desde 1993, já morreram 240 pessoas no IP4

 

As colisões frontais no IP4 “são de tal forma violentas que continua a ser a estrada do País com maior probabilidade de morte em caso de acidente”. Quem o diz é Luís Bastos, presidente da Associação de Utilizadores do IP4 (AUIP4), que continua a reivindicar radares fixos, visíveis e sinalizados com possibilidade de autuação, e separadores centrais para combater a sinistralidade naquela via – onde, desde 1993, data em que abriu em toda a sua extensão, já morreram 240 pessoas em acidentes de viação.

Embora reconheça que o número de mortes diminuiu desde que foi eliminada a via reversível em praticamente toda a extensão onde existem três faixas, feita uma repavimentação e colocada sinalização horizontal e vertical, a sinistralidade ainda regista valores demasiado altos em 2004, os acidentes provocaram a morte a 33 pessoas e, este ano, foram 17 as vítimas mortais.

Um percurso pelo que tem sido, ao longo dos anos, a cobertura foto jornalística dos acidentes no IP4, que liga os distritos do Porto, Vila Real e Bragança, foi a forma encontrada pela AUIP4 para assinalar, hoje, o Dia Mundial dos Acidentes de Viação.

Esta exposição de 32 fotografias – cedidas por órgãos de comunicação social nacionais e regionais e, se a meteorologia o permitir, expostas na zona do Alto de Espinho, o troço mais mortífero – “é um retrato daquilo que é uma guerra nas estradas portuguesas e dos dramas” daquele itinerário, disse Luís Bastos.

 

Joana de Belém (DN 20/11/2005)

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